Seminário sobre arboviroses em Minas destaca inovação tecnológica
Com o tema “Desafio das arboviroses em tempos da covid”, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) realizou, nesta semana, um seminário on-line que abordou temas relacionados às doenças causadas pelos arbovírus, que incluem dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
Destinado aos profissionais das Regionais de Saúde e dos municípios, o encontro teve o objetivo de alinhar as ações de controle no estado e orientar sobre medidas, fluxos e protocolos de respostas às doenças.
O secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, destacou a importância do enfrentamento das arboviroses na pandemia. “O ano de 2020 está sendo complexo e desafiador para Saúde. Conseguimos realizar várias ações para fortalecer a assistência e a integração. Nosso objetivo é adotar várias ferramentas para que, combinadas, possam nos oferecer resultados melhores dos que temos até agora, principalmente, no combate aos vetores das arboviroses, com a incorporação de novas tecnologias”, pontuou.
A subsecretária interina de Vigilância em Saúde da SES-MG, Janaína Passos de Paula, reforçou que o seminário é um importante espaço para pensar as arboviroses e as ações de controle do Aedes. “Mesmo diante do cenário de covid-19, as outras doenças não deixam de acontecer. O controle vetorial é um desafio muito grande e, ao longo os anos, percebemos a necessidade de incorporar novas ferramentas de controle, como as que estão em implementação no Estado”, apontou.
Novas tecnologias
O uso de novas tecnologias norteou o encontro. Ao falar sobre medidas inovadoras no controle do Aedes aegypti, o presidente da Fundação Ezequiel Dias (Funed), Dario Brock Ramalho, explicou que a experiência já deixou claro que não é possível acabar com a dengue com apenas um método.
“O objetivo é adotar várias ferramentas para que, combinadas, elas possam nos oferecer resultados melhores dos que temos até agora no combate aos vetores das arboviroses. Portanto, além das práticas comuns de combate ao mosquito, buscaremos efetivar o uso de tecnologias, como método Wolbachia, pesquisas para o desenvolvimento de vacinas, Gene-Drive (mosquito transgênico), iniciativas de manejo integrado e, futuramente, a construção de uma biofábrica no estado, com tecnologia da Fiocruz”, disse.
O Método Wolbachia consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia no meio ambiente. A Wolbachia é um microrganismo presente naturalmente em outros insetos que, nas células do Aedes aegypti, não permite uma boa multiplicação viral. Os resultados são significativos para o controle e transmissão das principais arboviroses.
Já o Gene-Drive, em fase de experimentação laboratorial, visa modificar geneticamente os mosquitos, por meio da adição do gene drive, impedindo a infecção de arbovírus e, consecutivamente, a transmissão do vírus de dengue, chikungunya e zika para as pessoas. O projeto é uma parceria realizada com o laboratório de pesquisa RNAi, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Conscientização
A campanha publicitária de enfrentamento às arboviroses tem o mote “O cuidado com a saúde começa em casa”. Materiais gráficos, informações, orientações técnicas e peças para utilização nas redes sociais serão disponibilizadas em: www.saude.mg.gov.br/aedes.