Serviço remoto, que já fazia parte do planejamento, ganha espaço na atuação da Emater-MG
Criatividade, agilidade e trabalho em equipe foram determinantes para que a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) mantivesse o atendimento aos produtores rurais durante a pandemia. Sem poder atuar perto dos agricultores, mas mantendo as atividades, para garantir a produção e o escoamento dos alimentos do campo para as cidades, os extensionistas tiveram que se reinventar para prestar assistência a distância.
Mas o serviço remoto, chamado de Ater Remota, já estava no planejamento estratégico da empresa, vinculada da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa/MG), antes mesmo da disseminação da covid-19 mudar as rotinas de todos. É o que explica o gerente regional da Emater-MG em Governador Valadares, Ademar Pires.
“Antes da pandemia, com o Programa Emater 4.0, se discutia como as ferramentas digitais poderiam ser utilizadas nos atendimentos. Com a necessidade do trabalho remoto, em março do ano passado, nos desdobramos para sistematizar rapidamente essa forma de atuação”, conta. Segundo o gerente, a ferramenta mais utilizada ainda é o aplicativo de mensagens WhatsApp, pela facilidade de uso e também pela economia de dados.
Ele conta que o atendimento remoto, por internet, aumenta o alcance da Emater-MG a produtores rurais, principalmente nos municípios maiores, em que as grandes distâncias dificultam a locomoção das equipes. Mas ele ressalta que essa nova forma de atender não vai substituir a presença dos técnicos nas propriedades. “Essa proximidade física é importante para o extensionista entender melhor a realidade e as necessidades das comunidades. As ferramentas digitais, mesmo depois da pandemia, continuarão sendo muito úteis para agilizar o atendimento, de forma complementar”, afirma.
Familiarização digital
Com a necessidade de manter a comunicação, até quem tinha pouco conhecimento das tecnologias digitais já está familiarizado com videoconferência ou atendimento virtual. É o caso do engenheiro agrônomo Fernando Tinoco, coordenador de Agroecologia da Emater-MG. Ele admite que, em um primeiro momento, ficou inseguro com a utilização mais intensa das ferramentas digitais, mas destaca que há muitas vantagens, sendo uma delas a economia.
“É claro que, em vários momentos, é necessário que o técnico esteja no local, mas em muitas etapas, a questão pode ser resolvida via internet. Antes da pandemia, meu uso dessas ferramentas de videoconferência era muito tímido, mas está cada vez mais frequente”, relata.
O projeto de atendimento remoto da empresa prevê várias etapas, como planejamento da ação, negociação do tempo necessário, apresentação dos participantes e definição dos objetivos, antes da discussão técnica propriamente dita. Depois, é feito um relatório com todas as decisões e os encaminhamentos necessários. Tudo é registrado para consultas futuras e acompanhamento.
Aplicativos como Google Meet, WhatsApp, Zoom e Skype, entre outros, estão sendo fundamentais para manter a dinâmica de rotina de atendimento aos clientes da Emater-MG, em mais de 90% dos municípios mineiros.
Emater 4.0
A empresa lançou, em dezembro de 2019, o Programa Emater 4.0. O foco é se adequar às exigências da transformação digital, com a criação e a utilização de ferramentas para tornar os serviços oferecidos mais ágeis e conectados às necessidades dos produtores rurais.
Os extensionistas de campo dispõem de tablets com conexão à internet e da plataforma Deméter, criada sob medida para o serviço de assistência técnica e extensão rural. Nos atendimentos em campo, os técnicos abastecem o banco de dados com informações sobre as propriedades, como área, atividades produtivas, e condições do solo. Assim, em outras visitas a uma mesma propriedade, todas as informações estarão disponíveis, mesmo que tenham sido inseridas por técnicos diferentes.
O extensionista agropecuário Carlos Alberto da Trindade, de São João del Rei, na região de Campo das Vertentes, destaca as vantagens do atendimento remoto. “Como o município é muito grande, eu já tinha o hábito de usar a internet para auxiliar no atendimento aos produtores, mesmo antes da pandemia. Várias pessoas me consultam pelo WhatsApp, o que é muito bom para adiantar o atendimento”, conta.